Professor Marcelo Maia Vinagre Mocarzel’s Story (Portuguese)

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Professor Marcelo Maia Vinagre Mocarzel’s Story (Portuguese)

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Meu nome é Marcelo Mocarzel, tenho 31 anos e moro no Rio de Janeiro – Brasil, com minha mulher e minhas duas filhas. Concluí meu PhD em outubro de 2017, entre idas e vindas entre educação e comunicação. Creio que muitos pesquisadores passam por isso: se identificam com mais de uma área de conhecimento e acabam perdendo o foco, ou pior, abrem mão daquilo que mais gostam em nome de prestígio acadêmico ou empregabilidade. Eu fiz tudo ao contrário e, parece, que está dando certo. 

Aos 18 anos eu queria ser publicitário e ingressei na faculdade de Comunicação. Estava completamente apaixonado pela carreira publicitária, até que, como costumo dizer, fui enganado. Minha avó era diretora de uma escola de educação básica e me convidou para montar um projeto de jornal escolar com os alunos. Foi aí que me apaixonei pela Educação, como campo do conhecimento. Terminei minha graduação em Publicidade, mas nunca mais pude deixar a educação de lado. Meu trabalho com os estudantes me estimulou a buscar uma graduação em Pedagogia e em poucos anos já estava formado e atuando na coordenação pedagógica da escola.  Resolvi aplicar para o Mestrado em Educação em uma dos mais prestigiados programas do país (Universidade Federal Fluminense) e fui aprovado. Aí minha vida de pesquisador começou a se desenrolar: passei a pesquisar a gestão educacional e a qualidade do ensino e as portas começaram a se abrir. Tive a oportunidade, graças à maravilhosa parceria com meu orientador, de participar de congressos nacionais e internacionais, escrever artigos para periódicos e livros e proferir palestras. Concluí meu mestrado com 26 anos, tendo me especializado naquilo que estava praticando na escola.  Com o diploma em mãos, fui contratado como professor por uma nova instituição de ensino superior, o Centro universitário La Salle do Rio de Janeiro (Unilasalle-RJ), parte de uma rede global de mais de 300 instituições católicas. Até hoje leciono na graduação e na pós-graduação, em cursos como Pedagogia, História e Engenharia. 

Mas eu sentia que a Comunicação fazia parte de mim ainda e ingressei no Doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Nesse momento, percebi que poderia aliar os dois campos de conhecimento e me especializar em uma área pouco pesquisada, mas importantíssima: a relação entre a mídia e a educação.  Minha tese versou sobre a publicidade das instituições de ensino superior privada e o processo de financeirização que as mesmas estão promovendo no Brasil. Fazendo uso da análise de discursos, pesquisei mais de 140 mil páginas de revistas em busca de anúncios que comprovassem a hipótese: a educação superior brasileira passa por um processo de oligopolização e financeirização e isso é anunciado na mídia como algo positivo, mesmo que o objeto em questão, o ensino, se perca. Minha tese foi muito elogiada pela banca, que a recomendou para publicação integral.  Durante o Doutorado, continuei a trabalhar em duas instituições de ensino e a publicar pesquisas relacionadas e independentes, estas advindas do grupo de pesquisa do qual eu faço parte, o Núcleo de Estudos em Gestão e Políticas Públicas em Educação (Nugeppe/UFF), que trata mais especificamente das políticas e da gestão educacional. 

Com 30 anos e o título de PhD em Comunicação da mais prestigiada universidade privada brasileira, vi meus campos de pesquisa se abrirem. Pude, pela primeira vez, integrar meus conhecimentos em educação e em comunicação, buscando desenvolver uma linha própria de investigação. Assim, ingressei poucos meses depois no estágio pós-doutoral na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, a mesma onde tinha cursado o Mestrado. 

Pode parecer estranho defender a tese em um Programa de Comunicação e realizar pós-doutorado em um Programa de Comunicação, mas é justamente isso que me fascina. Felizmente as ciências humanas e sociais possuem a fluidez necessária para pesquisadores inquietos como eu, que não se contentam com a lógica da hiper-especialização. Eu enxergo a ciência como uma arquipélago, e não como uma ilha. Para mim, tudo pode se relacionar com tudo, desde que o método e o rigor científico sejam preservados e as premissas teóricas dialoguem de maneira harmônica.  Hoje tenho uma trajetória considerada exemplar para os pesquisadores iniciantes, sobretudo meus alunos e colegas dos grupos de pesquisa.

Tenho até o momento 13 artigos publicados em revistas qualificadas e 13 artigos em livros científicos, tendo sido responsável pela organização de 4 dessas obras. Tornei-me colunista de um importante jornal do Estado do Rio de Janeiro, em um espaço que debate educação e comunicação. Publiquei mais de 30 trabalhos em congressos no Brasil e em países como França, Espanha, Portugal, Colômbia, México e Peru.  Há dois anos fui indicado como membro do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro, órgão consultivo formado por 24 membros com notório saber educacional, que tem caráter normativo e produz documentos orientadores das políticas educacionais. Trata-se de um trabalho não remunerado, mas de grande prestígio no meio da política educativa. Concedi mais de 10 entrevistas a jornais, revistas e canais de televisão, falando sobre as pesquisas que venho desenvolvendo nas três universidades as quais estou vinculado: UFF, onde fui professor substituto por dois anos e realizo o pós-doutorado, também como pesquisador do Nugeppe/UFF; a Unilasalle-RJ, onde sou professor dos cursos de graduação e pós-graduação e um dos editores do periódico científico; a PUC-Rio, onde sou pesquisador do grupo Juventudes Cariocas (JuX/PUC-Rio) e iniciarei em 2019 como professor visitante do programa de Pós-Graduação em Comunicação (Mestrado e Doutorado).  É muito comum escutarmos que o meio acadêmico é uma feira de vaidades, com extrema competitividade e altamente hierarquizado. Posso afirmar que minha experiência me provou o contrário: conheci um número infinitamente maior de pessoas generosas, abertas e que me impulsionaram, me ajudando a conquistar isso tudo em tão pouco tempo. Por isso, a paixão pela pesquisa em mim não encontra barreiras, apenas garra e determinação.    Agradeço pela paciência e oportunidade de compartilhar minha trajetória com vocês.   

Prof. Marcelo Mocarzel, PhD.

Academic Bio: LATTES http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4436842D8

ORCID https://orcid.org/0000-0002-2780-0054 

 

One Response

  1. Teresa C M Golim says:

    O mundo precisa de pesquisa e os seus trabalhos,livros e movimentos irão com certeza direcionar a educação para um caminho novo e uma política educacional mais aprimorada.Nao para não ! Bjs!

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